Aldrava Letras e Artes, Ano Vinte,
oferece de presente a você
uma forma de poesia chamada:

QUINTA

Brasão da Quinta criado por José Colaço
Lisboa, 23 de janeiro de 2020

Descrição heráldica:
- Escudo: de prata, mantelado de azul carregado em chefe de uma estrela de prata.
- Coronel Institucional: de ouro, um aro circular encimado por um livro aberto, ladeado à dextra e à sinistra por uma caneta de aparo e uma pena em aspa, acompanhados de uma estrela aparente.
- Listel: de prata sotoposto ao escudo com a designação “QUINTA”, em estilo elzevir.
- Listel: de prata sobreposto ao coronel com a designação “23-12-2019”, em estilo elzevir.

   Simbologia.
- Escudo
 De prata: ponta alusão a quem vem de Minas Gerais. Terras altas, salpicadas de morros, com elevações imponentes como Serra do Caraça, Serra da Mantiqueira e Serra do Espinhaço. As Serras (Montanhas) identificam Minas e os Mineiros.
- Mantelado: o céu e o espaço, como forma de liberdade do pensamento.
- Estrela: em alusão à poesia de cinco versos.

- Coronel Institucional: 
- Livro aberto: simboliza o carácter informação e divulgação, apresenta-se aberto para melhor simbolizar a universalidade e meditação.
- Caneta: representa a transmissão do pensamento.
- Pena: representação da Justiça, da Equidade e da Verdade.
- Estrela: fonte de luz, representam o pentagrama pitagórico, símbolo supremo do conhecimento, que com as suas 5 pontas alude ao homem, razão e objecto da criação da Quinta.
- Listel sotoposto ao escudo a designação “QUINTA”, poesia de 5 versos.
- Listel sobreposto ao coronel a inscrição “23-12-2019”, data da criação da QUINTA.

   Simbologia das cores:
- Prata: a riqueza do ideal que presidiu à criação da QUINTA e a humildade de quem apenas pretende contribuir.
- Azul: a nobreza de sentimentos.
- Ouro: a fortaleza de ânimo, a fé, a sabedoria.

Descrição: José S. E. Colaço
Lisboa, 23-jan-2020

 

Quem faz QUINTA É QUINTANISTA

Mais uma forma para o exercício da batalha com as palavras, criada pela educadora e escritora, Andreia Donadon Leal, no dia 23 de dezembro de 2019.
Os poetas que fazem QUINTAS são chamados de Quintanistas.

** QUINTA: cinco versos // 4 versos de dois vocábulos// último univocabular. O segundo rima com o último verso.
NÃO TEM QUE OBEDECER MÉTRICA. VERSOS LIVRES! A única rima é do segundo verso com o quinto.
Criada em 23/12/2019 = 19:40, pela escritora Andreia Donadon Leal.

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QUINTA1

infância adorada
ternas crianças
sobrinhos faceiros
ativam doces
lembranças!


QUINTA 2

azul celeste
sol aceso
flocos brumados
esmaecem pássaro:
indefeso!


QUINTA 3

amor materno
embalos altivos/
amor filial
cuidados fluem:
pali-ATIVOS!

Andreia Donadon Leal (23/12/2019)

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Quinta: buscando liberdade poética
Por: J. B. Donadon-Leal

A poeta Andreia Donadon Leal propôs e publicou em sua rede social, em 23 de dezembro de 2019, uma forma poética, poema autônomo, variante da quintilha, a que denominou de quinta. Fiat lux, dezenas de poetas passaram a produzir quintas e publicá-las com esse nome! Mas o que é quinta?
Embora com pouca frequência, estrofes de cinco versos são encontradas na poesia. A quintilha clássica caracteriza-se pela composição de estrofes de cinco versos metrificados, de redondilhas menores a maiores. Estrofes de cinco versos metrificados com mais de nove sílabas são denominadas de quintetos.
Álvaro de Campos (Fernando Pessoa) nos apresenta o seu belíssimo poema “O menino da sua mãe”, composto de seis quintilhas hexassilábicas:

No plaino abandonado
Que a morna brisa aquece
De balas traspassado
– Duas, de lado a lado –,
Jaz morto, e arrefece.

Raia-lhe a farda o sangue.
De braços estendidos,
Alvo, louro, exangue,
Fita com olhar langue
E cego os céus perdidos.

Os jogos de rimas acontecem entre primeiro, terceiro e quarto com a rima A e segundo e quinto com a rima B.
Já Cecília Meireles, no poema “A doce canção”, dedicado a Christina Christie, compõe suas cinco estrofes em quintilhas de redondilhas maiores, com jogos diferenciados de rimas, numa espécie de dança a demonstrar a musicalidade da canção.

Pus-me a cantar minha pena
com uma palavra tão doce,
de maneira tão serena,
que até Deus pensou que fosse
felicidade – e não pena.

Anjos de lira dourada
debruçaram-se da altura.
Não houve, no chão, criatura
de que eu não fosse invejada,
pela minha voz tão pura.

Há de se deixar claro, de início, que há, por certo, poemas autônomos de cinco versos, no entanto a quintilha ou o quinteto são denominações de estrofes componentes de poemas maiores e não de poema autônomo e completo.
O que é novidade? A novidade se dá pela apresentação formal de um acréscimo, de uma modificação ou de uma criação in totum de algo, com sua consequente denominação. É a denominação, o batismo com um nome, que aufere identidade a algo, diferenciando-o do acaso. Mesmo que a criação, seja pelo processo do acréscimo, da modificação ou da criação in totum, o fato de perceber o resultado como algo que se presta à autonomia identitária o credencia ao batismo e à reivindicação de autoria. É isso que aconteceu com a criação da quinta.
A quinta resulta da reflexão aldravista de auferir à palavra o status de unidade básica da poesia. Percebam que a poesia clássica tem como unidade básica a sílaba, da qual resultam os jogos métricos e os jogos de rimas. A primeira experiência poética, de que tenho notícia, de utilização da palavra como unidade poética é a aldravia, em que, não importa o tamanho da palavra, o número de sílabas, cada um dos seus seis versos é composto por uma palavra. Aí, sim, a palavra conquista o status de unidade básica da poesia. Quinta é, portanto, “poema autônomo” (e não apenas estrofe de poema) de cinco versos, sendo que os quatro primeiros são compostos cada um com duas palavras e o quinto verso com uma única palavra, com o segundo verso rimando com o quinto; primeiro, terceiro e quarto versos no estilo verso livre. Isto, e apenas isto!
É trilhando por esse caminho que Andreia Donadon Leal propôs a quinta. Não importa o número de sílabas na composição métrica dos versos. Importa que cada verso tenha o número de palavras determinado na composição poética que, no caso da quinta, é 02 / 02 / 02 / 02 e 01. Essa composição alcança também um outro espírito aldravista – o da liberdade. O exercício da liberdade está na utilização da palavra plena e farta de significação, sem as amarras métricas. Mas, como os conceitos de liberdade ao longo da história da filosofia e do direito sempre esbarrou em sua relatividade, obrigações sempre acompanham, compulsoriamente, o exercício da liberdade. No caso da composição da quinta, a obrigação de usar dois vocábulos nos quatro primeiros versos, e um único vocábulo no quinto verso; além de ter que ter um jogo de rimas: o segundo verso deverá rimar com o quinto e os demais versos no estilo de versos livres, isto é, sem obrigação de métrica e sem jogos de rimas.


Quintas inaugurais de Andreia Donadon Leal
QUINTA1

infância adorada
ternas crianças
sobrinhos faceiros
ativam doces
lembranças!

QUINTA 2
azul celeste
sol aceso
flocos brumados
esmaecem pássaro:
indefeso!

Quintas inaugurais de J. B. Donadon-Leal

Terreno baldio
imponente abriga
matagal, insetos;
imóvel, consciência
intriga.

Solta pipa
Desenha destino
Descobre rumos
Inventa verdades
Menino.

Como se vê, a quinta é um poema desamarrado; cinco versos, nove palavras, um jogo de rimas e nenhuma outra obrigação. Letras iniciais liberadas, maiúsculas ou minúsculas, ao gosto do poeta. O que se requer, sem piedade, é que seja poesia. Para ser poesia, é preciso saber dizer sem ser óbvio, sem ser apenas informativo, tem que ser figurativo, desviante, provocante.
Que tal criar a sua quinta? Experimente; invente!

QUINTA

beija-flor esvoaça
beija flores
netinhas beija-flor
dançam balé
amores!

Angela Guerra - Rio de Janeiro

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QUINTA PARA DEIA DONADON LEAL

Menina bonita!
Beleza concreta...
Cronista segura,
poetisa desvela,
discreta!

Luiz Roberto - Belo Horizonte - MG

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QUINTA 2

gato sapeca
pelo sedoso
unhas afiadas
miando baixinho
dengoso!

CALIXTO, Eliana - 24/12/2019)
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QUINTA

felicidade passa
é passageira
alegria fica
percorre alma
faceira!

Cyroba Cecy - Curitiba - PR

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QUINTA

rabisca resenha
retarda revolta
recicla rascunho
revendo reserva
revir/a/volta!

Gabriel Bicalho
(Para J. B. Donadon-Leal)

 

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QUINTA

Adolescente apaixonado
coração sofredor
sonhos molhados
juventude descobrindo:
Amor

terreno baldio
imponente abriga
matagal, insetos;
imóvel, consciência
intriga.

J. B. Donadon-Leal
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QUINTA PARA O PROF. José Benedito Donadon Leal

genro dedicado
exímio orador
voz, violão
poesia, aldravia
professor!

Eliana Calixto - Rio de Janeiro

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Edição em 31de dezembro de 2019 por J. B. Donadon-Leal