Jornal Aldrava Cultural
ISSN 151-9665
S B P A - Francisco Nunes
Artes Visuais
Cartas

Francisco Nunes

Sociedade idealizada por Andreia Donadon Leal
Logo criada por Gabriel Bicalho

Francisco Nunes (talvez) por ele mesmo. Eu ficava em pé, ao lado de meu pai, no banco da Rural Willys, observando tudo. Então, vi sobre um prédio aquele símbolo mágico, fascinante, cheio de significado, de sonoridade. Apontando para ele, disse a meu pai: “Eme, de Mesbla!” Somente tempos depois, no finado Colégio Cruzeiro do Sul, em Porto Alegre, é que eu seria formalmente apresentado ao alfabeto e às infindáveis combinações de letras em frases, em parágrafos, em histórias, em livros… Livros!
A biblioteca de meu pai era maravilhosa! Quantos títulos, quantos mistérios, quantos textos proibidos para mim, quantos volumes que me chamavam à exploração, quantas histórias que me faziam viajar, conhecer mundos e mentes, sonhos de outros sonhadores como eu! Com dez anos li Deuses, Túmulos e Sábios, de C. W. Ceram. Decidi, então, ser arqueólogo. Mas outros livros me fizeram querer ser astronauta, contrabandista, mergulhador, detetive, pastor, jornalista, policial…
O resultado é que os livros me fizeram um fazedor de livros. Hoje sou editor, tradutor, revisor, ghost-writter. Mas sempre fiz livros para outros. Tenho um velho/atual sonho: escrever meu livro, com os tantos de mim. Ele está prestes a abandonar o ninho seguro da gaveta (e isso não é apenas uma figura de linguagem). Outros ainda estão lá, sendo chocados, tímidos, receosos. xn.blog.br

 

 

Aldravias de Francisco Nunes (São Caetano do Sul, SP)
O
primeiro
amor
nunca
se
emudece

como
vida,
alma
querida,
quero-te
bem
à
sombra
descansa
o
sol
suado
silenciosamente
despertou
o
amor;
envergonhada,
desculpou-se
repousa
aqui
um
pouco,
viajante
louco
demasiado
cedo
foi
avaliado:
medo
dói
a
luz
acende:
fantasmas
fogem
nus
outro
dia
chuvoso:
saudoso
sorria
Juvenal
um
piquete
desalmado:
QUERO
CONTINUAR
IGNORADO!

não
enviei
condolências;
preferem
minha
ausência

monstros
destruindo
Tóquio:
memórias
de
infância
toda
mentira,
na
internet
é
verdade
Aldraviano
Campos
Fortes,
poeta
sonhador
contumaz
havia
beijos
ao
fim,
sem
fim
aldravio
palavras
aldrávicas:
loucas
aldravices
serenas
vivia
voando
entre
verdes
pássaros –
alvejado
ilusões
matinais,
pesadelos
diurnos,
choros
noturnos
esperando
descanso
encontrei
desespero.
desisti,
portanto
misericordiosos
homens
meditam
entre
mendigos
moribundos
a
cama
recebe
os
corpos.
solidão



 

 

Página criada em15 de dezembro de 2011
Editor: J. B. Donadon-Leal